Você já comeu um Bigmac igual ao da foto?

Essa dica foi enviada pelo leitor e meu  ex-aluno Alexander Missias. Navegando pela Net, Alexander topou com uma pesquisa que o fez lembrar da aula de metamensagens do Curso de Design Web.

Na aula de metamensagem falo como as informações que rodeiam a mensagem principal possuem uma importância enorme na reação e decisão de uma pessoa. Então vou seguindo até chegar nas imagens. Sabemos que as imagens correspondem aos itens de emoção de um site. Quanto utilizado com fins publicitários, a imagem precisa não só informar mas convencer. Então lanço a pergunta: como informar ao leitor de uma revista que o Bigmac é gostoso, quentinho, cheiroso, tenro e molhadinho?

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Os melhores sites são úteis e feios

Esse título peguei emprestado do artigo de Gerry McGovern pois achei inusitado e propositalmente queria chamar a sua atenção. Pensei em colocar um ponto de interrogação no final mas pensei “colocando um ponto final fica mais provocativo”.

Você deve ter pensando no mínimo algo como “O quê?! O Bruno, um webdesigner, dizendo que os melhores sites são feios?”. Bem, não sou eu que estou dizendo, é o que podemos constatar dando uma rápida olhadela pela internet.

Antes de tudo, claro que a afirmação acima pode parecer generalização. Mas como disse, foi apenas para despertar sua atenção para o fato que descrevo a seguir. Contudo, é claro que encontramos sites belíssimos e úteis por aí mas vamos falar aqui de sites conhecidissimos, famosos, que são úteis, dão a maior grana porém… são feios.

Sempre digo aos meus alunos, leitores e clientes que site bom é aquele que funciona e tem bom conteúdo. Um bom exemplo disso é o site Ponto Flash. Não é preciso dizer que, no aspecto do design, esse site peca bastante. Porém tem um conteúdo riquissimo. Quem aqui nunca procurou algo sobre flash e acabou caindo nele? Posso dizer com toda certeza que qualquer webdesigner que trabalha com Flash já passou por lá alguma vez na vida.

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Quando você ler esse artigo, pode ser que o layout do Ponto Flash tenha mudado. Por isso estou falando desse layout aí da foto.

Podemos dizer que o Ponto Flash é um exemplo de site útil e feio. As cores não harmonizam, o amarelo dificulta a leitura, o logo é difícil de entender, mas e daí, lá tem o conteúdo que procuro e resolve meus problemas.

Outro bom exemplo de site extremamente útil e com design bem questionável é O Viajante. Este site é tão bom que faz parte dos sites de conteúdo da UOL. Nele encontramos informações riquíssimas sobre todos os destinos do mundo, sem falar na maravilhosa seção “barbadas & roubadas” onde os leitores dão as dicas de viagem. Esse é outro site que de tão relevante aparece no topo do Google quando procuramos informações sobre alguma cidade. Justamente um site cujo layout não se adapta bem a resoluções maiores que 800×600, um menu complicado de entender, um logotipo que se repete juntamente com um fundo vermelho, dificultando seu entendimento. Mas e daí, o que que tem? O importante é ter acesso a este conteúdo exclusivo que me ajudou em diversas viagens que fiz.

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Aqui está o layout do Site “O Viajante” no momento em que escrevi esse artigo.

Outros exemplos famosos podem ser citados. Google parece um site criado nos primórdios da Internet quando ainda se usava o Mosaic. YouTube é um site tão simples que se eu apresentasse um layout semelhante para um cliente no mínimo ele iria dizer “tá muito careca, precisamos deixar ele mais colorido, vivo. Ah Bruno, seja mais criativo, como é que você quer vender um layout pelado desses pra mim, sem graça?”

E o MySpace? Uma salada de cores presentes num layout que nos remete aos portais quadradões de 1998. Além das chamadas, a única imagem visível é o logo. O resto são apenas cores hexadecimais, divs e fontes. Já o delicious é tão careca e tem um layout tão feio que a primeira vez que vi pensei logo de cara que tratava-se daquelas páginas fake com links patrocinados.

Agora o que tem em comum o Google, Youtube, MySpace e Delicious. Todas são ferramentas úteis, que favorecem a criação de conteúdo feito por qualquer pessoa, classificando as mais relevantes e portanto oferecendo um bom material. Sabemos muito bem que mesmo com um layout péssimo ou sem graça, Google, Youtube e MySpace ganham rios de dinheiro.

Moral da história: do que adianta um layout lindíssimo se o conteúdo do seu site não presta?

Exemplificando, sempre gosto de comparar o design à mulher: uma mulher bonita e burra não vai muito longe. A mulher feia e inteligente é útil, tem conteúdo e consegue fisgar os mais bonitos com suas cantadas inteligentes, mas pode ter no início uma dificuldade em sua aceitação. Agora uma mulher bonita, simpática, atraente e inteligente, é sucesso na certa, em qualquer lugar que chegue.

Portanto, um site com bom conteúdo e bom layout vai facilitar muito a sua vida. Afinal a primeira impressão é a que fica. Por isso se o seu conteúdo é fantástico, o design do seu site também deve ser.

Exemplos de bom conteúdo e bom layout não faltam: Submarino, MSN, Imasters, Trip, Bolsa de Mulher, National Geographic e tantos outros.

Cabe a nós, webdesigners, criarmos layouts nos atentando ao conteúdo, a facilidade de acesso e navegação, desenvolvendo formas de destacar conteúdos importantes sem quebrar a harmonia, a suavidade e o conforto na sua leitura. Nossa função é deixar a internet mais bonita, mas com equilíbrio, utilizando doses suficientes de beleza, sem alterar o sabor de um bom conteúdo.

Para o alto e avante!


Conseqüências da má-interpretação de um briefing

Para quem não sabe, mantenho um programa de cursos voltado a webdesigners e programadores. São cursos focados em design web e comunicação visual. Com esses cursos tive a oportunidade de me aproximar mais dos colegas de profissão, auxiliando-os através de trabalhos periódicos, onde tenho a chance de analisar o layout de cada aluno, produzido de acordo com um briefing fictício. No final do curso, os melhores trabalhos ganham um prêmiozinho do professor aqui, podendo ser um dvd educativo, um livro ou algo que possa motivar o aluno a continuar naquele caminho.

Durante esse projeto, pude avaliar centenas de layouts, de webdesigners e programadores de todo o Brasil. E foi à partir dos primeiros trabalhos enviados pelos alunos que tirei a seguinte conclusão: 80% desses primeiros trabalhos chegaram com falhas graves devidos a má-interpretação do briefing.

As reclamações de webdesigners, que eu cansei de escutar esses anos todos, dizendo que os clientes não entendem seus trabalhos, taxando de ruins, mesmo quando bonitos, começaram a vir na minha cabeça, ganhando uma explicação. Muitas vezes, se não a maioria, o problema está no descaso ou esquecimento do que foi dito numa entrevista de briefing.

O primeiro exercício de layout é simples: produzir um design para site institucional. No briefing é pedido foto do produto, menu e logotipo. Nada mais do que isso, um site simples, estático, de apresentação. Os exemplos citados no briefing são claros, mostrando layouts simplórios, de acordo com o que é pedido.

Uma semana depois recebo os layouts e noto que muitos não captaram o que foi sugerido, outros captaram apenas parcialmente. Recebo layouts em estilo portal, com notícias e ferramentas de busca onde em nenhum momento foi pedido. O briefing pede uma foto, mas o aluno me entrega com 5 fotos diferentes, espalhados pelo layout.

Em minha análise direcionado a cada aluno, puxo a orelha pedindo para que se atentem ao briefing. Logo no segundo trabalho, o puxão surte efeito, onde a maioria dos alunos entregam seus trabalhos de acordo com o briefing, sendo sugerido apenas uma ou outra modificação.

Trazendo isso para o mercado, podemos ver uma situação bastante comum: o webdesigner apresenta o site e leva um sonoro NÃO GOSTEI do cliente, apesar do layout estar bonito e funcional. O cliente pede para voltar e mudar todo o layout e o webdesigner vai embora sem entender, com raiva do cliente. Qual seria o motivo? Má-interpretação do briefing? Bem provável. Quando fazemos uma entrevista com o cliente e ficamos atento a cada detalhe do que é passado, observando exemplos de sites que agradam e desagradam o cliente, podemos criar um layout que pelo menos se aproxime do que é esperado. Dessa forma, ao apresentar o design, o cliente fica satisfeito, sugerindo pequenas modificações. Mas o mesmo não ocorre ao criar um layout sem ficar atento ao briefing. Você escutará “Não gostei” e um pedido de “muda esse layout todo pois não tem nada a ver com que eu quero”.

A culpa nem sempre é do cliente. Lembra na época do colégio, quando Professor Tibúrcio entregava a prova dizendo “Galera, vocês tiraram zero nessa questão pois não souberam interpretar o que foi pedido. Zero pra todo mundo!” ? Pors então, isso atenção deve permanecer sempre com a gente. Fique atento.

Para o alto e avante!


Finalmente, a Internet encontrou seu rumo

 Quando a imprensa foi criada pelo alemão Johannes Gutenberg, por volta de 1450, não existiam muitos títulos a serem publicados. Afinal, praticamente não existiam escritores. A Bíblia, um dos livros mais antigos do mundo, atravessou séculos sendo escrito a mão pelo clero, porém tornou-se o primeiro título a utilizar a famosa prensa de Gutenberg, multiplicando seus exemplares e popularizando-se.

 

Com o passar dos anos, a escrita e o conhecimento se tornou acessível a um número maior de pessoas. Podemos considerar a invenção do livro como o primeiro meio de propagação de idéias em alta escala.

 

Já no início do século passado tivemos uma enxurrada de invenções que iriam transformar a comunicação no mundo. O telefone, o fonógrafo e o cinema são algumas delas. Porém, vamos dirigir nossa atenção primeiramente ao Rádio.

 

O rádio chegou no Brasil em 1922. O então presidente Epitácio Pessoa abriu a primeira transmissão de rádio do País com um discurso. O sinal foi transmitido no Rio de Janeiro através de uma antena colocada no Corcovado. Receptores foram espalhados em Niterói, Petrópolis e São Paulo. No Rio, foram colocados alto-falantes em alguns locais, deixando a população de boca aberta ao ouvir o estrondo das caixas que ecoavam “O Guarani” ao vivo do Teatro Municipal, regido por Carlos Gomes.

 

A história que se seguiu é bem interessante. No início a Rádio MEC, uma das primeiras do Brasil, tinha o intuito de levar educação e cultura à população brasileira. Imagine, aulas sacais, de matemática à história, onde um locutor apenas falava e nada mais. Uma tentativa de levar a escola até o Rádio. Claro que seria um fracasso, levando a rádio a quase declarar falência por falta de audiência e de dinheiro. Depois começaram a surgir algumas rádios que trouxeram a música e a publicidade para a programação. Foi então que o rádio se encontrou e surgiu os programas de auditório, as cantoras do rádio e sua era de ouro, onde a publicidade bancava tudo.

 

Até que apareceu a televisão. Quando a TV Tupi foi lançada em 1950 por Assis Chateaubriand, nada se sabia sobre TV. Profissionais da radiodifusão foram alocados na emissora, trazendo a linguagem do rádio para a telinha. Trouxeram o telejornal lido no papel, os programas de auditório do rádio e as rádio novelas que misturado ao teatro, se transformou em telenovelas. A linguagem da televisão era precária, quem viveu essa época viu muita improvisação e não se sabia direito como ganhar dinheiro com ela. Os anúncios publicitários eram nada mais que jingles de rádio, executados ao vivo antes da criação do videotape.

 

A televisão brasileira só encontrou um rumo com a criação do padrão Globo de se fazer TV, criada por José Bonifácio, o Boni, e Walter Clark. Até hoje, depois de 40 anos, as emissoras continuam tentando seguir o padrão criado pela Rede Globo, chegando a imitar descaradamente toda sua programação e identidade visual (leia-se Rede Record), numa tentativa de tirar o seu primeiro lugar de audiência.

 

Foi aí que em 1995 surgiu no Brasil a tal da Internet. O início não podia ser diferente do livro, do Rádio e da TV. Vamos recapitular: nas primeiras impressões de livros no mundo, não se trouxe nada de novo a não ser impressões da velha bíblia. No rádio, não se trouxe no início nada de novo, apenas discursos de políticos, professores e leituras de jornais impressos. Na TV, em suas primeiras transmissões, vimos apenas o que já existia no rádio, numa tentativa de adaptação.

 

Na internet não seria diferente.

 

O Jornal do Brasil foi o primeiro jornal online brasileiro. O que se tentou por alguns anos foi trazer o formato do jornal para a rede. Veja abaixo um antes e depois.

 

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Note a diferença gritante no formato de comunicação. Em 1996 o que se tentava era reproduzir na internet o que já se tinha, no caso o jornal. Ninguém sabia como fazer a coisa funcionar bem na internet. Foi a primeira vez que vimos trabalhar no mesmo ambiente, jornalistas, publicitários, analistas de sistema, programadores, designers e administradores.

 

Enquanto o jornalista tentava jogar na Internet tudo aquilo que sabia fazer no jornal impresso, o publicitário tentava trazer as “tifs” de 50 megas, transformando em pequenos arquivos gif de 2 megas e tacando nas páginas, dizendo que aquilo era um anúncio do tipo “banner”. ( É verdade, uma vez recebi de uma agência um banner de 2 megas para ser colocado num portal de notícias. Erro comum naquela época ). Para que esse conteúdo fosse pro ar de uma maneira decente, entrava em cena o criativo das agências de publicidade, acostumados a trabalhar com layouts impressos, sem nunca ter ouvido falar em menu de navegação ou usabilidade. Pra que essa máquina pudesse funcionar, entrava em cena o programador e o analista. Enquanto isso lá na outra ponta, o administrador tentava organizar todo esse conjunto.

 

Porém, nem sempre era assim que funcionava. O programador, que nunca tinha ouvido falar em gestalt na vida, pegava um photoshop e a partir dali tentava fazer um layout. Já o publicitário abria um bloco de notas e tentava fazer um formulário de email, programando. O jornalista saia na rua tentando vender anúncio para o seu portal de notícias. Resumindo: uma confusão só. Até aí podemos ver o que a convergência das mídias acabou provocando. ;)

 

Treze anos se passaram e hoje podemos dizer que já temos uma linguagem de internet. Um exemplo claro disso está no exemplo abaixo, onde mostro uma página interna da Folha de São Paulo em 2000 e em 2008.

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Note que os banners, nada mais que anúncios animados inspirados em outdoors eletrônicos que possuem um tipo de anúncio bem semelhante, estão desaparecendo. Hoje já vemos um tipo de anúncio que dá muito mais resultado que o banner animado e que, na internet, funciona muito bem, os links patrocinados ou anúncios texto.

 

Parecido com pequenas chamadinhas de anúncio de classificados, ele tem um diferencial importante que faz com que ele seja unicamente da internet, funcionando apenas nela: é possível clicar no título, diferente do anúncio de classificado que apenas se lê. Além disso o link pode-se relacionar com o assunto, dando ao anúncio um poder maior de atração.

 

Outra coisa fantástica é que pessoas comuns estão virando veículos de mídia publicitária, utilizando ferramentas como o Google Adsense. Sobre isso, falarei mais na frente para que este artigo não fique muito extenso. Mas trata-se de uma nova forma de publicidade, sendo um advento proporcionado pelo meio internet.

 

Portanto, o que vemos hoje não são mais jornais que ficam parados como se ali fosse a edição do dia, com notícias de ontem. As notícias são atualizadas a cada minuto. Os banners não são mais inspirados em outdoors, tem sua linguagem própria criada a partir da internet. Ferramentas online proporcionaram a todos a possibilidade de se ter um jornal, sua rádio ou sua televisão sendo divulgado para todo mundo. Tudo isso criado dentro da internet, utilizando uma linguagem única de comunicação.

 

Acho que estamos vendo a internet, finalmente, encontrar seu rumo, a exemplo do que aconteceu um dia com o livro, o jornal, o rádio e a TV. Por isso, sinta-se pioneiro.

 

Para o alto e avante!