Nosso negócio é convencer pessoas. Outubro 16
Ano passado estive palestrando no 2o Festival Gazeta de Publicidade quando tive a oportunidade de conhecer uma figura chamada Stalimir Vieira, grande publicitário que ja dirigiu criação em agências famosas como DPZ, W/Brasil, Bates e na DDB Argentina, além de ser professor e autor de vários livros sobre publicidade.
Antes de minha palestra, durante o almoço, tivemos uma conversa bem animada sobre publicidade e internet. Ficamos ali filosofando e arriscando previsões para o futuro sobre os novos rumos da publicidade frente às inovações tecnológicas de comunicação.
Logo após fui palestrar falando justamente sobre esse assunto. Como tinhamos na platéia publicitários e estudantes de comunicação, iniciei logo com uma visão “apocalíptica” para botar aquele medo e despertar a atenção. Notícia ruim normalmente o pessoal se interessa não é mesmo? Basta ver o Jornal Nacional e observar de quantas notícias negativas e positivas é feito um jornal.
Mas o melhor de tudo é que no final da palestra revelo o final feliz, assim como toda novela. Realmente com as novas tecnologias os publicitários atuais e os estudantes devem se aperfeiçoar ainda mais e adequar sua criatividade a cada meio. Mas não é preciso tanta preocupação e correria pois isso não acontece de um dia para o outro. Assim como a publicidade de jornal se adaptou ao rádio e a publicidade de rádio se adaptou a TV, ela irá sempre se adaptar as novas tecnologias. O que importa é o que Stalimir disse no seu artigo abaixo:
“(…)ocorra o que ocorrer, o futuro não prescindirá do talento criativo e do conteúdo cultural”
Veja o ótimo artigo de Stalimir Vieira sobre o futuro da publicidade e as novas tecnologias. Leitura muito boa! Então senta, senta que lá vem a história!
Nosso negócio é convencer pessoas.
Stalimir VieiraSemana passada estive em Maceió, dando uma palestra para uma centena de estudantes, no 2º Festival Gazeta de Publicidade. Falei um dia depois de Bruno Ávila, jovem especialista em internet, que havia feito uma projeção sombria para a publicidade convencional, num futuro muito próximo e dominado pela web. Pelo número de perguntas e conhecimento da linguagem que, ao final da exposição, vieram da parte do público, deu para perceber que havia um alinhamento bastante natural na percepção das tendências. Ou seja, essa consciência já está incorporada pela nova geração de profissionais que desembarca no mercado. Todos sabem e sentem que, nos próximos anos, mudanças importantes exigirão dos publicitários o conhecimento de novos meios para se comunicar com um consumidor cada vez mais auto-suficiente na eleição do que deseja ler, ouvir e ver. A garotada domina o linguajar relativo à internet do futuro e tem familiaridade com as interconexões entre computador, celular, televisão, etc É perceptível, porém, que conhecer essa linguagem não é suficiente para que os jovens profissionais se sintam seguros com relação ao futuro. Apesar da boa participação no debate, pairou no ar uma certa angústia, diante da “ameaça” à profissão. É como se não se encaixassem as funções de um novo mercado com o grosso de seu aprendizado, cujo currículo ainda se baseia numa formação convencional. Na noite anterior à minha palestra, fiquei refletindo sobre o que ouvira do especialista e de como deveria “responder”, sem parecer saudosista nem retrógrado, à expectativa daquelas moças e daqueles rapazes, sendo eu um sujeito que começou sua carreira de redator, datilografando numa Olivetti. Para minha sorte, descobri (na internet!) que a próxima edição da Veja teria 111 páginas de anúncios. Ora, mas não seria mesmo formidável que, no mesmo evento em que a propaganda convencional – mais que tudo a sempre condenada mídia impressa – ganhara uma espécie de epitáfio, o mesmo público recebesse a informação de que os profissionais de criação mais importantes do País estiveram ocupados, na semana anterior, em criar e produzir 111 anúncios apenas para uma edição da Veja? E foi assim que comecei a minha palestra: eu não sei o que vai acontecer amanhã, mas hoje vocês teriam de criar 111 anúncios de revista; alguém se habilita? Com isso, não tive a presunção estúpida de negar as transformações que, fatalmente, vão ocorrer num futuro mais ou menos breve (temos que ter maturidade para compreender que o ritmo da evolução também é manipulado no atendimento de interesses diversos), mas procurei alertar a platéia de que, ocorra o que ocorrer, o futuro não prescindirá do talento criativo e do conteúdo cultural. E que a habilitação para esse mesmo futuro tem dois inimigos mortais: a passividade e a certeza absoluta. São características reveladoras da preguiça de pensar. Lembram da tal da “nova economia” que levou um monte de gente boa para o buraco por pura passividade e pura “certeza absoluta”? Na viagem de São Paulo à Maceió, lendo o segundo volume das “Memórias da Segunda Guerra Mundial”, magnífica narrativa de Winston Churchill, registrei uma passagem muito sensível, em que ele afirma alguma coisa como “sendo o futuro, muitas vezes, uma questão de sorte, o que nos cabe é estar preparados, essencialmente, naquilo que sustenta qualquer solução exigida.” Inspirado por essa revelação de profunda sabedoria, eu disse que, por mais complexas que se tornem as tecnologias no uso do marketing e da comunicação, estaremos sempre no negócio de convencer pessoas. E que isso exige, muito mais do que conhecermos métodos e ferramentas, conhecermos as próprias pessoas, seus sentimentos, seus desejos, seus receios… E que não há pesquisa mais eficaz do que a convivência. A tecnologia é resultado do conhecimento acumulado e organizado, a partir de uma tese, e se desenvolve e se aplica no atendimento a um propósito. Ou seja, é pura reflexão, é pura filosofia. O que significa que a passagem de paciente para agente no desenho do futuro é simplesmente uma questão de aprofundamento cultural e de um processo natural e permanente de reflexão. É essa reflexão sobre a informação recebida que nos excita a sensibilidade e promove uma espécie de “orgasmo” chamado inspiração. Aplicável em qualquer modelo de futuro. Com a vantagem de que pode ser usada também no presente.
Fonte: http://www.stalimir.com/basedemarketing/artigo_.asp?artcod=259
Para o alto e Avante!
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