Sete perguntas para Bruno Ávila
| Veja a entrevista completa que cedi para a revista “Digite sua senha” sobre a profissão de webdesigner. Acho que será útil para muitos que querem seguir essa profissão. A entrevista foi feita por Regina Ramoska.
1) Qual é o papel desempenhado por um webdesigner em uma agência como a sua? Primeiro, não tenho agência. Trabalho por conta própria. Aliás é o que recomendo para todos os webdesigners brasileiros. Trabalharem inicialmente em uma agência e se o profissional se sentir a vontade para trabalhar por conta própria, depois de adquirido experiência no mercado, seguir como um profissional autônomo. Hoje estou muito bem trabalhando dessa forma. Às vezes penso porque não tomei essa atitude antes. Mas não me arrependo de ter trabalhando em outras agências, pelo contrário, elas me serviram como base e experiência para o trabalho que desempenho hoje. Agora não é tão fácil trabalhar por conta própria e em casa. Primeiro deve existir disciplina. Ter cuidado com alguns “males”. Por exemplo: trabalhar próximo da cama pode trazer aquela preguiça depois do almoço. Estar próximo a cozinha traz uma barriga indesejada. A televisão pode lhe dispersar. Então é necessário disciplina, depois disciplina e em terceiro disciplina. Depois vem a dificuldade de seus familiares entenderem que você está trabalhando e não brincando de Internet. No início, quando eu e meu irmão montamos uma empresa em 97 no nosso quarto, até nossos próprios pais achavam que estávamos brincando. Tivemos que alugar um escritório para convencer nossa família que o negócio era sério. Depois voltamos para casa já que não recebemos visitas de clientes, pois todos os negócios são fechados via Internet. Para aqueles que não desejam enfrentar essas dificuldades de trabalhar sozinho ou montar uma empresa, o melhor mesmo é desempenhar um bom trabalho em alguma agência web, trabalhando sempre com vontade, vontade essa que falta em muitos “profissionais” brasileiros, sejam webdesigners ou não. 2) Qual é a formação desejada? Acredito que a formação acadêmica vem apenas a auxiliar, mas não é garantia de sucesso. Claro que dominar determinados softwares de que um webdesigner precisa é fundamental. Mas sabemos também que isso não faz a diferença. Numa oficina mecânica, todos os mecânicos sabem como utilizar uma chave de roda. O que diferencia o mecânico do outro é sua criatividade e principalmente sua habilidade de comunicação. Saber se comunicar com seus colegas de trabalho e com seus clientes faz a grande diferença. Se fechar numa sala juntamente com um computador, sabendo tudo de fireworks e dreamweaver não vai levar você a lugar algum. É necessário ter noções de interpessoalidade, saber lidar com os clientes, parceiros e colegas de trabalho. Um outro ponto importante é observar que um design de um site tem a necessidade de vender. Vender um serviço, uma imagem, um conceito, uma idéia. Um site de fórum de discussão vende a discussão de idéias, um site sobre paixão por aviões vende justamente essa paixão, ou seja, todo site deve vender alguma coisa, seguindo o conceito de que venda não quer dizer necessariamente vender com o objetivo de lucrar financeiramente, mas com o objetivo de divulgar. Logo chegamos ao campo da publicidade. Acho necessário ao webdesigner ter noções de publicidade, marketing, planejamento publicitário, comunicação visual, fotografia, teoria da comunicação, tudo que se estuda numa faculdade de publicidade. Sinto que isso falta muito nos sites brasileiros. Não podemos esquecer que Internet é um meio de comunicação assim como a televisão, rádio, jornal, revista, etc. Se a Internet é um meio de comunicação, os profissionais de webdesign que trabalham nela devem ter uma formação voltada à comunicação. 3) Há poucos anos, os profissionais dessa área eram ‘autodidatas’. Hoje há formação técnica e até superior. Há diferença no resultado final? Ou depende da criatividade de cada um? Os cursos de webdesign no mundo todo ainda são muito novos. Conheço alguns cursos que ensinam tudo de informática e nada em comunicação. Webdesigner necessita muito mais de comunicação do que de informática. Se você quer ser webdesigner e está estudando informática, abandone o curso. Já se você faz um curso de webdesign e no seu curso você nunca ouviu falar em comunicação visual, produção gráfica, fotografia, marketing, introdução a publicidade, navegação e cores, teoria da comunicação, redação publicitária, abandone o curso. Como disse, o site vende. Se vende você tem que ter noções sobre isso. Não adianta saber como criar uma camada no Fireworks se você não tem essas noções. O software pode ser qualquer um, Fireworks, Photoshop, o software não vai fazer de você um grande profissional. A diferença começa no que citei acima. 4) De uns tempos para cá, webdesigner entrou ‘na moda’. Isso saturou o mercado? Existe alguma alternativa de diferenciação para quem está pensando em ingressar nesse segmento? Não. Não saturou. Se observarmos, ser médico e advogado no Brasil é bem mais complicado do que webdesigner. Todos os anos se formam 10, 20, 50 mil médicos, advogados, engenheiros… esses sim têm alguma dificuldade a mais. Já webdesigner muita gente nem sabe o que é. Pra você ter uma idéia minha própria mãe até hoje não entende como funciona o meu trabalho. Para o bom profissional nunca existirá saturação. Infelizmente no Brasil, o seu diferencial começa na incompetência do outro. Estamos cheios de profissionais que não cumprem prazos acordados com o cliente, mal humorados, que não sabem se expressar, que não sabem fazer amizades, que não tem disciplina, tudo isso é um grande diferencial no nosso mercado, infelizmente. Na realidade todos nós deveríamos ser grandes profissionais e nossas diferenças estariam somente no nosso estilo e na nossa criatividade. Mas infelizmente ainda não é assim que funciona. 5) Além dos cursos formais, o que contribui para o desenvolvimento de um bom profissional? No jornalismo, por exemplo, é fundamental estar atualizado, ler bastante etc. E na área de webdesigner? Além dos cursos que citei sobre comunicação é necessário observação e curiosidade. Olhar um anúncio e perguntar para si mesmo: porque ele utilizou essa fonte? Porque utilizou essa forma e esse efeito na foto? Observar um site e se perguntar: Porque estou achando esse site bonito? O que tem nele que me provoca a atenção? E depois ir atrás e pesquisar. Isso enriquece o profissional. 6) É uma profissão bem paga? Qual é a média salarial para quem começa como estagiário e para quem chega ao topo da profissão? Como toda profissão, existem os mal e bem pagos. Um webdesigner que está iniciando, que nunca trabalhou na vida pode ganhar entre 300 a 800 reais, dependendo do Estado em que se vive. Agora conheço webdesigners que ganham por mês, 2, 3, 5, 8 mil ou até mais. Depende do tempo de profissão, dos trabalhos já executados, esse sim é o maior currículo de um webdesigner, experiência e trabalhos comprovados. 7) Quais são as características essenciais para um profissional dessa área? Coloquei na ordem de importância: 1. Ter Vontade Bruno Ávila é webdesigner e piloto virtual de Flight Simulator. Aviso importante: Você pode copiar e distribuir este artigo, mas citando sempre a fonte e mantendo o texto original. |