Quando o dono do provedor foi lá em casa instalar um modem e um disquete com um troço chamado Trumpet, fui finalmente apresentado a um negócio chamado World Wide Web.
Dentro daquele ambiente Windows 3.11, começou a despontar páginas como aquelas que via no Word. "Vamos entrar na Nasa agora", disse o dono do provedor. E eu retruquei "Na Nasa? Peraí, você vai fazer uma ligação pro BBS da Nasa?". O homem riu, dizendo que não, que eu ia me conectar na Nasa sem pagar por ligação internacional. Somente indaguei: "Que sinistro...".
Desde aquele ano de 1995 até hoje pude ver o progresso do design web através dos anos. Diversas tendências foram lançadas, diferentes estilos e modas que figuraram em nossas telas, assim como o nosso jeito de vestir e de viver.
O design web foi se adaptando aos avanços da tecnologia: novos navegadores, tipos de animação e linguagens de programação. Passamos por diversas fases. Lembro dos layouts sem fundo, com texto Times New Romam e uma pequena foto que demorava a carregar nos nossos modens 14.400. Depois vieram a moda dos frames. Todo site tinha que ter um frame, que acabou sendo utilizado de forma exagerada, como toda novidade que aparece nessa área.
Com os plugins do Photoshop, fizeram a festa. Tudo tinha q ter sombra em perspectiva e efeito em 3D nas letras. O efeito de fogo então era a sensação.
A gif animada foi outra febre, todos queriam ter seus logotipos rodando e pulando sobre a página. Com o flash, as animações tomaram de conta.
Houve a época dos sites metafóricos. Lembro do site da ZAZ ( hoje Terra ) que mostrava uma banca de jornal, para acessar cada conteúdo era necessário clicar em cada revista presente na banca.
Numa época mais recente tivemos o período dos sites pesados, retos e perspectivos, com degradês que davam uma impressão artificial de barras de ferro, acompanhadas de animações flash pesadissimas que demoravam 10 minutos pra carregar e duravam apenas 10 segundos de evolução, com efeitos produzidos pelo After Effects que impressionavam à primeira vista mas no final mostrava-se um elemento ineficiente e pesado. Um exemplo desse tipo de layout eram os vendidos pelo Template Monsters e que contaminaram o estilo dos sites da maioria dos webhostings brasileiros.

Hoje vivemos uma outra época. O que chamo de Design Web 2.0. Com o objetivo de facilitar a navegação e o carregamento do site em qualquer tipo de navegador ou meio, seja computador, celular ou televisão, passou-se a utilizar alguns recursos como o tableless e o CSS. Esta forma de construção afetou consideravelmente no estilo e na forma de se criar um design web. Hoje vemos layouts retos, simplórios e objetivos, seguindo sempre uma regra mais rígida de construção.
Não sei se você leitor ja percebeu, mas todos os sites estão convergendo para um mesmo tipo de layout. Reto, com gradientes e logos reflexados. Até que ponto isso é legal e até que ponto isso é moda? E até que ponto isso descaracteriza a personalização dos sites? E como ser criativo nesse meio?
Acredito que o Webdesigner veterano esteja passando por uma situação completamente nova. O que vejo é a lógica da programação entrando sem bater na porta. Hoje o profissional de criação não pode mais fazer um site a torto e a direito, colocando os elementos onde quiser em qualquer lugar, pouco se lixando em como o programador irá montar seu trabalho "artístico".
Diferente de um pintor de quadros de arte, que possui todo o espaço branco de um quadro para preencher da forma que quiser, o webdesigner hoje ( e cada vez mais ) tem que se submeter a diversos padrões impostos pela tecnologia como forma de manter a internet acessível a todos, em qualquer meio e lugar.
Padronização sempre vimos por aqui. Padrões de dimensões de banner e de construção de html sempre foram os padrões mais visíveis. Agora estamos sujeitos também a padronização do design web.
Algumas padronizações do design web já podemos encontrar na Internet, como nesse site:
http://www.webdesignfromscratch.com/web-2.0-design-style-guide.cfm
São 15 tópicos que são citados como verdadeiras regras de construção do layout. Temos algumas bastante pertinentes, principalmente sobre usabilidade e navegabilidade que realmente vem para facilitar a vida do internauta. Mas entre essas regras encontrei a utilização de gradientes, star flash e reflexões.
Fiquei preocupado com essas últimas regras, que tentam direcionar os elementos de emoção de um layout.
Vivemos uma era onde a personalização é tida como um diferencial fundamental. E minha preocupação é se estamos diante de uma tentativa de massificação do design web, matando justamente essa personalização.
São sites cada vez mais parecidos. Todo mundo quer ter um logo refletido, um gradiente de fundo e uma estrela plástica dizendo "Grátis!". Tudo é reto, tudo tem a mesma cara.

Opa, o caminho não é por aí. Acho que muitos confundiram as coisas. Não é porquê devemos seguir um padrão de construção que devemos padronizar também os itens de emoção ( cores, formas, imagens, etc ).
O desafio hoje de todo webdesigner é ser criativo nesse meio, mantendo um equilíbrio entre os padrões adotados atualmente na construção de sites e a criatividade na construção das formas, se diferenciando dos demais.
Quem disse que com CSS, tableless, seguindo os padrões, não é possível fazer bons layouts, bem diferentes desses layouts quadrados com cara de blog que vemos por aí?
Vejamos alguns exemplos:
http://espn.go.com/
Site de notícias com cara de site de notícias. Normal. Nada de logo refletindo. Isso é moda. Um exemplo de como não devemos ficar dependentes dessas regras visuais que parecem impostas.
http://www.fishmarketing.net/
Site totalmente metafórico, que segue CSS e divs. Um belo exemplo de site CSS bem diferente dos padrões visuais adotados atualmente.
http://www.electricpulp.com/
Outro site diferente, reto porém foge da típica construção de coluna corrida, como os blogs. Colorido, diferente, criativo e que segue muito bem os padrões.
O fato é: o design web sempre irá se adaptar a tecnologia e padrões adotados. É importante acompanhar e estudar essas novas tecnologias, mas sem travar a criatividade ou fazer da internet uma grande massa visual, toda igual e da mesma cor como a massa de uma pizza.
Se você voltar para o início do texto verá que nesses 12 anos de internet brasileira passamos por diversos modismos. Será que esse estilo de design web 2.0 não seria mais um? Eu acredito que sim. E você?
Para o alto e avante!
Bruno Ávila é webdesigner e gosta muito de pizzas e massas.